quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Manual de Delicadeza de A a Z-Roseana Murray


Em Manual da delicadeza de A a Z (2001), ilustrado por Elvira Vigna, a poetisa resgata, numa espécie de dicionário afetivo, as noções que orientam o bem viver, o bem relacionar-se com o outro e o bem compreendê-lo por meio de uma norma e de uma regra simples: a delicadeza.

Roseana Murray consegue muito mais do que simplesmente escrever um manual. Ao direcionar sua forma literária para o fértil terreno do imaginário infantil, ela arrebata outros seguidores, interessados tanto em poesia como em fazer dela uma parte significativa do seu compromisso com o existir e com o humanizar-se. O livro é organizado em ordem alfabética (um título de poema para cada letra do alfabeto), numa seqüência capaz de dialogar com o leitor. É interessante notar que, ao fazer essa escolha, fica clara a importância do alfabeto no aprendizado da leitura, ou seja, ele é o passo inicial para penetrar no mundo simbólico da escrita onde tudo começa pela letra A, primeira letra, e termina no Z, última letra do alfabeto.

Seu manual foi organizado dessa maneira intencionalmente, a fim de facilitar o entendimento necessário que se precisa para exercer e praticar a delicadeza. E dentre as muitas possibilidades de palavras, Roseana Murray escolheu, privilegiando algumas: afago, bem-estar, carícia, dádiva, esperança, fonte, gavetas, horizonte, invisível, jardim, luz, moinho, nuvens, olhar, pássaros, querubim, rosto, silêncio, tempo, universo, voz, xale e zelo. A primeira palavra é afago e a última é zelo. As duas convidando à aproximação, ao toque, ao cuidado com o outro. Todas as palavras, cuidadosamente selecionadas e combinadas, sugerem, nas imagens poéticas, uma situação de leveza que contraria o peso do viver, ao enfatizar situações que permitem ao leitor visualizar o outro e perceber tanto sua existência, como sua solidão e suas tristezas.

Esse livro de poesia para crianças enquadra-se perfeitamente em todas as características propostas por Ítalo Calvino (1990) que aponta a leveza, a rapidez, a exatidão, a visibilidade e a multiplicidade como valores capazes de resguardar a linguagem poética e sensível da literatura para as gerações futuras. Uma dessas características apontadas por Calvino se encontra de modo mais evidente em todos os poemas: a leveza que, como afirma Elvira Vigna (p. 31) a respeito da obra, faz “acrescentar céus onde não havia”.

Confirma o nosso ponto de vista, o depoimento de Ferreira Gullar, na contracapa do livro: “A poesia de Roseana Murray é feita de delicadezas e transparências, como se ela falasse para mostrar o silêncio. E assim a linguagem alcança a condição de pluma ou porcelana”. Isso nos faz lembrar que as penas voam embaladas pelo ar e que as antigas porcelanas chinesas são chamadas de casca de ovo, pela sua fragilidade. Nas mãos, não têm peso algum e quem as preserva ainda hoje as guarda como verdadeiros tesouros, carregados de aura e de saudade. Assim se justifica a própria poetisa, explicando as razões de seu Manual: "Assim nasceu este manual: a partir de cada letra uma palavra, a partir de cada palavra um poema. A vida deveria ser uma teia de infinitas delicadezas. Ao invés de uma porta fechada, horizontes, ao invés de um grito, girassóis". (MURRAY, 2001, p. 30).

Todos os vinte e três poemas parecem tocados pelo rico campo semântico relativo aos significados de leveza, dos quais foram escolhidos poemas dentre os mais representativos. Isso fica bastante evidenciado no poema “Querubim” (p. 21):

6 comentários:

  1. Poemas com uma linguagem cheia de símbolos e imagens.A autora focaliza a delicadeza nas relações, os encontros e desencontros nas coisas do mundo.Neste mundo tão carente de delicadezas e boas maneiras é muito agradável ler poesias que enfoquem esse tema.

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  2. Eu quero as poesias não o livro ou "A Autora"

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  3. eu tenho esse livro e trabalho com ele que é meu paradidático pois faço a 6ºsérie

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  4. super legal o livro manual da delicadeza

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  5. e um belo livro para se ler

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